Economia Solidária: Estratégias de resistência dos trabalhadores à reestruturação produtiva e às políticas neoliberais



O presente trabalho analisa as transformações estruturais e político-ideológicas do capitalismo a partir da crise de superacumulação da década de 1970, com a substituição do paradigma fordista e do Estado de bem-estar social para uma reestruturação pós-fordista e um Estado neoliberal em nível mundial. Esse processo ocorre com particularidades no Brasil que, a partir da década de 1990, substitui o fordismo e o Estado nacional-desenvolvimentista pelo novo paradigma pós-fordista e neoliberal. São estabelecidas novas condições tecnológicas e organizacionais capitalistas, um novo padrão de empresas e uma classe trabalhadora heterogênea, em condições de desqualificação, precarização, desemprego estrutural e empobrecimento.

O encontro dessa situação da classe trabalhadora com os movimentos sociais e organizações não governamentais críticas ao modelo neoliberal é o gerador da economia solidária, movimento de ruptura com o cooperativismo tradicional. No entanto, a força política e institucional da economia solidária não se reflete em resultados econômicos efetivos. A combinação da ação política nos movimentos sociais das ONGs e entidades de apoio com a cultura do assalariamento e do patronato dos trabalhadores gera uma incapacidade para a inserção econômica dos empreendimentos solidários. As ONGs e entidades não possuem, em geral, capacidade de assessoria e formação para a atividade econômica. Os empreendimentos, em sua maioria, ficam sujeitos à subordinação assalariada frente às empresas capitalistas. As experiências de autogestão estão condicionadas pelas culturas de hierarquia e autoritarismo do mundo das empresas.

Como experiências positivas, estão disseminando-se as redes de cooperação econômica solidária, com foco no resultado econômico. Estas redes, embora embrionárias, têm trazido resultados econômicos efetivos, além de constituírem-se em escolas de economia e autogestão para os trabalhadores dos empreendimentos, das ONGs, das entidades de apoio e dos governos, cumprindo um papel social ao aumentar a auto-estima dos trabalhadores e fortalecer as estruturas, processos e decisões coletivas.

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